02 novembro 2016

Rolinhos de folhas de arroz com frango, alface, couve-roxa, milho, pimento e cenoura

E se no meu último post falava de remodelações nas cozinhas, hoje falo do meu novo amor. E não pensem que não tem nada a ver, porque tem. Pois que ele pode roer tudo que não faz mal, depois virá uma cozinha nova.
Pensei muito antes de o ter. Foi uma "gravidez" bem planeada e com todos os medos e ansiedades normais para mim. Afinal desde que adoeci que tenho fobia a pêlos, a gatos e a cães. 
Queria agradar o "piolho" mas acabei por ser eu mesma surpreendida por sentimentos e emoções que julgava terem sido apagadas pelo tempo de menina.
Mal ele entrou pelo porta teci um conjunto de regras bem rígidas, afinal eu sou a líder da matilha. Não pode ir para o sofá, não pode entrar na cozinha, não pode sequer passar a entrada do meu quarto, também é melhor não ir para o quarto do miúdo por causa do chão de madeira, para o wc nem pensar e muito menos para a varanda com as minhas ervas aromáticas... Basicamente quis confinar o seu espaço a um hall, por sinal bem espaçoso. Pulgas e carraças, um horror, e assim nem pensar em tocar-lhe. Agora sim nunca mais ia criar laços com ele. Muitos telefonemas para as amigas e familiares, muitos telefonemas para o hospital veterinário e o assunto foi sendo resolvido. 
Dia após dia ansiei pela banhoca que quero dar-lhe, mas diz que não ainda posso. Fiz-lhe um plano de saúde para ter a certeza de lhe prestar todos os cuidados necessários. 
Cada dia foi sendo mais fácil, cada dia fui sendo conquistada por um amor incondicional que diziam por aí sobre os cães. Levei ralhetes por acordar todos os dias entre as 5 e as 6 da manhã porque ele chorava e eu não deveria sucumbir ao seu choro. Mas malta, eu sou a "mãe" dele e para mim era imperativo acordar para lhe dar comer e atenção, mesmo que não gostasse dos pêlos, das pulgas ou do seu cheiro. 
Bem, três semanas depois o resultado: continuo a acordar todos os dias muito cedo e nunca reclamo; alterei pormenores em casa para lhe dar conforto; dorme num puf enorme que era o meu sítio preferido para ver cinema em casa, e tem a sua manta a condizer; entra na cozinha  roí-me as franjas do tapete e os puxadores dos armários e eu não me ralo; entra na sala e adora o sofá; retirei os livros que estavam na lareira que é apenas decorativa e tem a sua manta lá para quando estamos na sala, além de outro puf se lhe apetecer estar virado para a televisão; entra no meu quarto e rouba-me as pantufas; já consigo tocar-lhe e pego-lhe ao colo e vemos os dois o dia nascer à janela da minha cozinha; morde-me os pés, as pernas, as mãos e lambuza-me toda enquanto o seu pequeno rabo preto de ponta branca abana loucamente; já conhece os avós e o tio que ajudam na sua educação e afins; já sabe o que é o jornal e quando lhe dizemos lá vai ele a abanar o cú para fazer as suas necessidades, e no fim, lá vou eu limpar-lhe as patas, a pilota e o rabiosque com os toalhetes; continuo a lavar as mãos sempre que lhe mexo porque ainda existe um medo em mim; continuo a dizer-lhe que não vejo a hora de lhe dar banho e misturar-lhe as manchas pretas com as brancas até ele ficar cinzento, aliás já tem o seu shampoo comprado; e para terminar continuo a sentir-me estúpida quando estou sozinha com ele e converso como se ele me compreendesse ou fosse responder... Estou a adorar sentir este amor... Será normal?
Como o tempo tem sido escasso, as receitas são a despachar. Cada um faz e compõe o seu rolinho à sua maneira, mesmo que não se tenha grande jeito para esta massa tão delicada.

Ingredientes para 12 folhas de arroz:
- 600g de peito de frango (2 peitos grandes)
- sal q.b.
- 2 colheres de sopa de molho de soja
- 1 colher rasa de chá de gengibre em pó
- 1 colher rasa de chá de alho em pó
- 1 colher de sopa de azeite + para fritar q.b.
- 4 colheres de sopa de sementes de sésamo
- 2 colheres de sopa de cebolinho fresco picado
- 1 chávena almoçadeira de couve roxa cortada finamente
- 1 chávena almoçadeira de alface cortada finamente
- 1 cenoura grande ralada no crivo mais largo do ralador
- 1 pimento vermelho cortado às tiras finas
- 1 lata pequena de milho doce lavado e escorrido
- 12 folhas de arroz

Preparação:
Colocar os peitos de frango entre duas folhas de papel vegetal e bater com o rolo da massa ou o martelo de cozinha para que fiquem mais uniformes. Temperar com uma pitada de sal (pouco), o molho de soja, o gengibre, o alho e o azeite. Massajar bem para que tomem o gosto dos temperos. Polvilhar com as sementes de sésamo de ambos os lados.
Aquecer uma frigideira com um pequeno fio de azeite e fritar o frango de ambos os lados, terminando no forno para acabar de cozinhar. Deixar repousar uns minutos antes de fatiar e polvilhar com cebolinho fresco picado.
Colocar água quente numa prato fundo para hidratar as folhas de arroz (uma de cada vez). Escorrer cuidadosamente e colocar sobre um prato. Dispor por cima numa das pontas os restantes ingredientes a gosto  e enrolar primeiro sobre o recheio, depois as laterais e por fim enrolar o restante. Bom apetite!

6 comentários:

  1. Normalíssimo, minha querida! Anormal seria não teres essas atitudes e esses sentimentos! É impressionante como os bichos despertam em nós sentimentos que nem sabíamos que existiam! Gosto dessas receitas rápidas e práticas! Beijinhos

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    Respostas
    1. É verdade fui mesmo surpreendida. E quanto à receita cada um fazer o seu com estas folhas de arroz que são tão delicadas... já deves estar a ver o filme à minha mesa :). beijoca

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  2. Os rolinhos ficaram lindos! Ah e parabéns pelo novo morador aí de casa :)
    Beijinho
    http://asreceitasdamaegalinha.blogspot.pt/

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    1. Obrigada Joana! beijinho e resto de boa semana.

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  3. Esse amor é incondicional e muito normal. Aproveita, pois eles dão sem querer algo em troca.
    Bjs

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    Respostas
    1. Já percebi que sim e estou a adorar este "pulgas". bjs e bons cozinhados

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